AMIGO É CASA

Simone e Zélia Duncan
2008 – Biscoito Fino – DVD (BF 744)

Show:
Roteiro: Zélia Duncan e Simone
Direção Geral e Cenário: Andrea Zeni
Direção Musical e Produção Musical: Bia Paes Leme Músicos:
Walter Villaça: Violão de aço, viola de 10 e guitarra semi-acústica Webster Santos: violões, guitarra, cavaco, bandolim e lap-steal
Léo Brandão: pianos, teclados e acordeom
Ézio Filho: baixo vertical, baixo elétrico e agogô
Jadna Zímmermann: percussão, bateria e flauta
Carlos César: bateria, pandeiro, moringa e zabumba.

Iluminação: Rogério Wiltgen
Técnicos de Monitor e PA: Beto Fernandes e Carios Pedruzzi Roadies: Sérgio Henrique e Reginaldo Ferreira
Cenotécnicos: Renan lima e Fábio Meneses
Produção Executiva: Marília Aguiar, Patríca Albuquerque e Marcelo Alves.
Coordenação Geral de Produção: Denise Costa – Duncan Produçôes

Um realização Biscoito Fino:
Direção Geral: Kati Almeida Braga
Direção Artística: Olivia Hime
Coordenação de Produção: Martinho Filho

Biscoito Fino:
Gravado por Gabriel Pinheiro
Assistente de gravação: Gustavo Krebs
Unidade Móvel: Gabi Som
Técnicos de Áudio: Marcos Possato e Vander Reis
Mixado por Bia Paes e Gabriel Pinheiro no estúdio Biscoito Fino
Assistentes de estúdio: Gustavo Krebs e Vinicius Kede
Masterizado por Luiz Tornaghi – Visom Digital
Assistentes de produção: Mariana Coelho e Maria Portugal

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Alguém cantando longe daqui
Alguém cantando longe, longe
Alguém cantando muito
Alguém cantando bem
Alguém cantando é bom de se ouvir
Alguém cantando alguma canção
A voz de alguém nessa imensidão
A voz de alguém que canta
A voz de um certo alguém
Que canta como que pra ninguém
A voz de alguém quando vem do coração
De quem mantém toda a pureza
Da natureza
Onde não há pecado nem perdão
Alô
Amigo velho/novo
Como vai
Mas que prazer
Alô
Eu trago novidade das pessoas
Pra você
Por lá
Se continua com a mesma emoção
Por lá
Se dança ainda ao som de um grande coração
A gente vai levando
Quer se queira, goste ou não
Fé na estrada
Facão

Alô
Petúnia Resedá já estou chegando em casa
Alô
Uma saudade imensa me queima, me arrasa
Eu gostaria que você tivesse sempre em mente
Que é justamente o nosso amor que me leva em frente
Por isso a cada dia um lugar bem diferente
Preciso conhecer e abraçar mais gente

É importante dar notícias
Boca a boca
Mão na mão
Por isso vou cantando pé na estrada
Aquela simples canção
Muito que andar por aí
Muito que viver por aí
Muito que aprender
Muito que aprontar
Por aí

Eu tô grávida
Grávida de um beija-flor
Grávida de terra
De um liquidificador
E vou parir
Um terremoto, uma bomba, uma cor
Uma locomotiva a vapor
Um corredor

Eu tô grávida
Esperando um avião
Cada vez mais grávida
Estou grávida de chão
E vou parir
Sobre a cidade
Quando a noite contrair
E quando o sol dilatar
Dar à luz

Eu tô grávida
De uma nota musical
De um automóvel
De uma árvore de Natal
E vou parir
Uma montanha, um cordão umbilical, um anticoncepcional
Um cartão postal

Eu tô grávida
Esperando um furacão, um fio de cabelo, uma bolha de sabão
E vou parir
Sobre a cidade
Quando a noite contrair
E quando o sol dilatar
Vou dar à luz

Amaram o amor urgente
as bocas salgadas pela maresia
as costas lanhadas pela tempestade
naquela cidade distante do mar

Amaram o amor serenado
das noturnas praias
levantavam as saias
e se enluaravam de felicidade
naquela cidade que não tem luar

Amavam o amor proibido
pois hoje é sabido
todo mundo conta
que uma andava tonta
grávida de lua
e outra andava nua
ávida de mar

E foram ficando marcadas
ouvindo risadas, sentindo arrepio
olhando pro rio tão cheio de lua
e que continua correndo pro mar

E foram correnteza abaixo
rolando no leito
engolindo água
boiando com as algas
arrastando folhas
carregando flores
e a se desmanchar

E foram virando peixes
virando conchas
virando seixos
virando areia
prateada areia
com lua cheia
e à beira-mar
Antes de sair do teu exílio kitnet
faça
uma enquete com os astros
traça
uma rota antidesgraça
passa
teu terninho todo traça
caça tua coragem na dispensa e dança
e quando estiver como sempre: quase pronta
recolha as pontas segura as pontas
que a vida é lança não é
tonta
nem é mansa
e não se esqueça: proteja a cabeça
com meu boné, sua bandana
que a vida não é toda praia mas também é
Copacabana
Cuide-se bem!
Perigos há por toda a parte
E é bem delicado viver
De uma forma ou de outra
É uma arte, como tudo...
Cuide-se bem!
Tem mil surpresas
À espreita
Em cada esquina
Mal iluminada
Em cada rua estreita
Em cada rua estreita
Do mundo...
Pra nunca perder
Esse riso largo
E essa simpatia
Estampada no rosto
Cuide-se bem!
Eu quero te ver com saúde
E sempre de bom humor
E de boa vontade
E de boa vontade
Com tudo...
Pra nunca perder
Esse riso largo
E essa simpatia
Estampada no rosto
Na próxima encarnação
Não quero saber de barra
Replay de formiga não
Eu quero nascer cigarra
Nascer Tom Zé, Jamelão
Cantar Violeta Parra
Zé Kéti, Duke Ellington
Com banda, orquestra e fanfarra
Na próxima encarnação
Não quero saber de barra
Replay de formiga não
Eu quero nascer cigarra
Nascer Tom Zé, Jamelão
Cantar Violeta Parra
Zé Kéti, Duke Ellington
Com banda, orquestra e fanfarra
Porque você pediu
Uma canção para cantar
Como a cigarra
Arrebenta de tanta luz
E enche de som o ar
Porque a formiga é
A melhor amiga da cigarra
Raízes da mesma fábula
que ela arranha, tece
E espalha no ar
Eu ia saindo, ela estava ali
No portão da frente
Ia até o bar, ela quis ir junto
‘tudo bem’, eu disse
Ela ficou super contente
Falava bastante,
O que não faltava era assunto
Sempre ao meu lado,
Não se afastava um segundo
Uma companheira que ia a fundo
Onde eu ia, ela ia
Onde olhava, ela estava
Quando eu ria, ela ria
Não falhava
No dia seguinte ela estava ali
No portão da frente
Ia trabalhar, ela quis ir junto
Avisei que lá o pessoal era muito
exigente
Ela nem se abalou
‘o que eu não souber eu pergunto’
E lançou na hora mais um argumento
profundo
Que iria comigo até o fim do mundo
Me esperava no portão
Me encontrava, dava a mão
Me chateava, sim ou não?
Não
De repente a vida ganhou sentido
Companheira assim nunca tinha tido
O que fica sempre é uma coisa
estranha
É companheira que não acompanha
Isso pra mim é felicidade
Achar alguém assim na cidade
Como uma letra pra melodia
Fica do lado, faz companhia
Pensava nisso quando ela ali
No portão da frente
Me viu pensando, quis pensar junto
‘pensar é um ato tão particular
do indivíduo’
E ela, na hora ‘particular, é? duvido’
E como de fato eu não tinha lá
muita certeza
Entrei na dela, senti firmeza
Eu pensava até um ponto
Ela entrava sem confronto
Eu fazia o contraponto
E pronto
Pensar assim virou uma arte
Uma canção feita em parceria
Primeira parte, segunda parte
Volta o refrão e acabou a teoria
Pensamos muito por toda a tarde
Eu começava, ela prosseguia
Chegamos mesmo, modéstia à parte
A uma pequena filosofia
Foi nessa noite que bem ali
No portão da frente
Eu fiquei triste, ela ficou junto
E a melancolia foi tomando conta
da gente
Desintegrados, éramos nada
em conjunto
Quem nos olhava só via dois
vagabundos
Andando assim meio moribundos
Eu tombava numa esquina
Ela caía por cima
Um coitado e uma dama
Dois na lama
Mas durou pouco, foi só uma noite
E felizmente
Eu sarei logo, ela sarou junto
E a euforia bateu em cheio na gente
Sentíamos ter toda felicidade
do mundo
Olhava a cidade e achava a coisa mais linda
E ela achava mais linda ainda
Eu fazia uma poesia
Ela lia, declamava
Qualquer coisa que eu escrevia
Ela amava
Isso também durou só um dia
Chegou a noite acabou a alegria
Voltou a fria realidade
Aquela coisa bem na metade
Mas nunca a metade foi tão inteira
Uma medida que se supera
Metade ela era companheira
Outra metade, era eu que era
Nunca a metade foi tão inteira
Uma medida que se supera
Metade ela era companheira
Outra metade, era eu que era
Tenho as mãos atadas ao redor do meu
pescoço
Eu queria mesmo era tocar
seu corpo
Reprimo meus momentos
Jogo fora os sentimentos e depois?
Depois toco meu corpo eu tenho frio
Sou um louco amargurado e
até vazio
E me chamam atenção
Mas eu sou louco é de paixão
e você?
Você que me retire desse poço
Eu sei ainda sou moço pra viver
E te ver assim tão crua
A verdade é toda nua
E ninguém vê
Eu tenho as mãos atadas sem ação
E um coração maior que eu para doar
Reprimo meus momentos
Jogo fora os sentimentos sem querer
Eu quero é me livrar
Voar
Sumir
Perder não sei, não sei, não sei querer mais
A qualquer hora é sempre agora chora
Quero cantar você
Vou fazer uma canção liberte o meu pensar
Aperte os cintos pra pousar
Agora é hora de dizer muito prazer sorte
ou azar e amar
Simplesmente amar você
Por favor, meu ego
Não dê força ao prego
Que nos põe contra a parede
Pra nos afogar de sede

Chove chuva
Na sua boca, você não bebe
Ha palavras, existem letras
Mas você não forma
As frases loucas
Que cultiva por aí

Fale pelos cotovelos
E pelos joelhos
Me critique sem razão
Se omitir não vale a pena
Mas não polua minha cultura
Não venha dividir comigo
Sua auto-censura
Me desencontre,
Não me prostitua
Senão seremos mais uma carcaça
Em desgraça
Por aí

Por favor, meu ego
Não dê força ao prego
Que nos põe contra a parede
Pra nos afogar de sede

Chove chuva
Na sua boca, você não bebe
Ha palavras, existem letras
Mas você não forma as frases loucas
Que cultiva por aí

Fale pelos cotovelos
E pelos joelhos
Me critique sem razão
Se omitir não vale a pena
Mas não polua minha cultura
Não venha dividir comigo
Sua auto-censura
Me desencontre,
Não me prostitua
Senão seremos mais uma carcaça
Em desgraça por aí

Por favor, meu ego

Não somos mais
Que uma gota de luz
Uma estrela que cai
Uma fagulha tão só
Na idade do céu...

Não somos o
Que queríamos ser
Somos um breve pulsar
Em um silêncio antigo
Com a idade do céu...

Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu...

Não somos mais
Que um punhado de mar
Uma piada de Deus
Um capricho do sol
No jardim do céu...

Não damos pé
Entre tanto tic tac
Entre tanto Big Bang
Somos um grão de sal
No mar do céu...

Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu
A mesma idade
Que a idade do céu...

Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu
A mesma idade
Que a idade do céu...

Existe um Céu
onde moram as amadas
Que o coração desinventou
Um lugar onde vagueiam
palavras de amor
Restos de Sol
E Solidão

Ecos de falas
amplificadas pela paixão
que na poeira do tempo
se desfaz

O amor é o bem maior que existe em mim
O amor é o mal maior que existe
O amor é o bem maior
O amor é o mal e o bem

Existe um céu labirinto
Minha amada
E a minha sombra ali vagueia
Para sempre
Entre os fantasmas da celebração
E da dor
Entre os fantasmas da celebração
E da dor

Citação musical ‘Espere por mim, morena’ (Gonzaguinha)

Diga lá meu coração
Da alegria de rever
Essa menina
E abraçá-la
E beijá-la
Diga lá meu coração
Conte as histórias das pessoas
Das estradas dessa vida

Chore essa saudade estrangulada
Fale sem você não há mais nada
Olhe bem nos olhos da morena
E veja lá no fundo
A luz daquele sol
De primavera
Durma qual criança no seu colo
Sinta o cheiro forte do teu solo
Passe a mão nos seus cabelos negros
Diga um verso bem bonito e vá embora

Diga lá meu coração,
Que ela está dentro
Do teu peito e bem guardada
E que é preciso
Mais que nunca prosseguir

Você me deixa um pouco tonta, assim meio maluca
Quando me conta essas tolices e segredos
E me beija na testa, e me morde na boca
e me lambe na nuca
Você me deixa surda e cega, você me desgoverna
Quando me pega, assim nos flancos e nas pernas
Como fosse o meu dono ou então meu amigo
 ou se não meu escravo

Eu sinto o corpo mole e eu quase que faleço
Quando você me bole e bole e mexe e mexe
E me bate na cara, e me dobra os joelhos
e me vira a cabeça
Mas eu não sei se quero ou se não quero
Esse insensato amor que eu desconheço
E que nem sei se é falso ou se é sincero
Que me despe e me vira pelo avesso

Não eu não sei se gosto ou se não gosto
De sentir o que eu sinto e que me atormenta
E eu confesso que tremo desse sentimento
Que de repente chega e que me ataca
E assim me faz perder-me e nem saber
Se esses carinhos são suaves ou velozes
se o que escuto é o silêncio ou se ouço vozes

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço, venha me apertar
Tô chegando

Coisa que gosto é poder partir
Sem ter plano
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero

Todos os dias é um vai e vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais

Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar

E assim
Chegar e partir

São só dois lados da mesma viagem
O trem que chega é o mesmo trem
da partida

A hora do encontro é também
Despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida

Todas as vezes que você passa e
nem me vê
Fico pensando no que eu faria pra
ter você
Pra ter você de qualquer forma
De qualquer jeito, qualquer maneira
Você nem sabe que eu estou
ficando infeliz
Não posso mais guardar comigo
os versos que eu já fiz
Pra lhe dizer do meu amor
Também fui eu quem lhe mandou
aquela flor
Vivo fazendo milhões de coisas
Qualquer loucura pra ter você
E os dias passam correndo vou acabar
lhe perdendo
Preciso descobrir um jeito
De chamar sua atenção
O meu melhor sorriso eu dei você
não viu
Gritei seu nome mas nem assim você
me ouviu
Por mais que eu faça não adianta
Você nem nota minha existência
E os dias passam correndo e de esperar
vou morrendo
Vou acabar ficando nu pra chamar
sua atenção
Vou acabar ficando nu pra chamar
sua atenção
Vou acabar ficando nu pra chamar
sua atenção
O amor me pegou
E eu não descanso enquanto não pegar
Aquela criatura
Saio na noite à procura
O batidão do meu coração
Na pista escura

Se pego, ui, me entrego e fui
Será que ela quererá
Será que ela quer
Será que meu sonho influi
Será que meu plano é bom
Será que é no tom
Será que ele se conclui

E as gatas extraordinárias
Que andam nos meios onde ela flui
Será que ela evolui
Será que ela evolui
E se ela evoluir
Será que isso me inclui

Tenho que pegar, tenho que pegar
Tenho que pegar essa criatura
Tenho que pegar, tenho que pegar
Tenho que pegar
Crianças nos claros da tarde,
Cachorros na boca da noite
Os galos nos dentes do dia,
Cada desejo é um açoite

Eu nunca volto nem vou, apenas sou

Aberta aquela janela,
Este peito estrangulado
O que não digo me queima,
Não satisfaz o falado

Não te odeio nem te amo, apenas chamo

Viaja o vento nordeste,
Cavalo do meu segredo
Se estás comigo distraio,
Se vais, eu morro de medo

Eu não me lembro nem esqueço, adormeço

Então me diz
Nada é tão triste assim
A vida é boa pra mim
Mais que o normal

Então me diz
Qualquer estória
De amor e glória, eu sei
Não dá mais pra voar

Não sei olhar sem você
Eu só tenho olhar pra você
Eu só sei olhar pra você
Eu só sei olhar pra você
Só sei olhar pra você
Eu não sei olhar...

Então me diz
Frases feitas comuns
Já sei, ficamos no ar
Mais que o normal

Então me diz
Faz frio agora
A musa inglória partiu
Negando seu papel

E eu nem sei olhar sem você
Eu não sei olhar sem você
Eu não sei olhar sem você
Eu só sei olhar pra você
Só sei olhar pra você
Eu só sei olhar...

Uh...nunca disse, te amo
Nunca disse, te estranho
Nem importa mais

E eu só sei pensar em você
Eu só sei pensar em você
Eu só sei pensar com você
Eu só sei pensar com você
Só sei pensar em você
Só sei pensar... pensar...

Pra dor de amor, eu não faço sala
Amor me deixa, outro amor me embala
Eu sou um coco que seu ralador não rala

A tristeza quando chega
Se deixar, ela se instala
Se ela vê peito vazio
Quer fazer festa de gala,
Mas comigo não tem jeito
Ela nem desfaz a mala
Que um amor quando me deixa, sinhô
Tem outro em ponto de bala

A tristeza a gente sente
Quando o seu chicote estala
Se ela vê sinal de pranto
Lambe o beiço e se regala
Mas meu peito não se curva
A bota, tacão, bengala
Meu amor que é de quilombo (iáiá, kekerê, iê, iê)
Não se prende em dor de senzala
Há almas que têm
as dores secretas
as portas abertas
sempre pra dor

Há almas que têm
juízo e vontades
alguma bondade
e algum amor

Há almas que têm
espaços vazios
amores vadios
restos de emoção

Há almas que têm
a mais louca alegria
que é quase agonia
quase profissão

A minha alma tem
um corpo moreno
nem sempre sereno
nem sempre explosão

Feliz esta alma
que vive comigo
que vai onde eu sigo
o meu coração

Alma, deixa eu ver sua alma
A epiderme da alma, superfície.
Alma, deixa eu tocar sua alma
Com a superfície da palma da minha mão, superfície
Easy, fique bem easy, fique sem nem razão
Da superfície livre
Fique sim, livre
Fique bem com razão ou não, aterrize
Alma, isso do medo se acalma
Isso de sede se aplaca
Todo pesar não existe
Alma, como um reflexo na água
Sobre a última camada
Que fica na superfície, crise
Já acabou, livre

Já passou o meu temor do seu medo
Sem motivo, riso, de manhã, riso de neném
A água já molhou a superfície
Alma, daqui do lado de fora
Nenhuma forma de trauma sobrevive
Abra a sua válvula agora
A sua cápsula alma
Flutua na superfície lisa, que me alisa, seu suor
O sal que sai do sol, da superfície
Simples, devagar, simples, bem de leve
A alma já pousou na superfície

Sou uma garota sem recato
Desacato autoridade
e me dou mal
Sou o que resta da cidade
Respirando liberdade por igual

Viro, reviro, quebro e tusso
Apronto até ficar bem russo
Viro, reviro, quebro e tusso
Apronto até ficar bem russo

Meu medo é minha coragem
De viver além da margem e não parar
De dar bandeira a vida inteira,
Segurando meu cabresto sem frear

Por dentro eu penso em quase tudo
Será que mudo ou não mudo
Por dentro eu penso em quase tudo
Será que mudo ou não mudo

O mundo, bola tão pequena
Que dá pena mais um filho eu esperar
E o jeito que eu conduzo a vida
Não é tido como forma popular

Mesmo sabendo que é abuso
Antes de ir agito e uso
Mesmo sabendo que é abuso
Antes de ir agito e uso

Meu medo é minha coragem
De viver além da margem e não parar
De dar bandeira a vida inteira,
Segurando meu cabresto sem frear

Por dentro eu penso em quase tudo
Será que mudo ou não mudo
Por dentro eu penso em quase tudo
Será que mudo ou não mudo

O mundo, bola tão pequena
Que dá pena mais um filho eu esperar
E o jeito que eu conduzo a vida
Não é tido como forma popular

Mesmo sabendo que é abuso
Antes de ir agito e uso
Mesmo sabendo que é abuso
Antes de ir agito e uso
Uso
Uso

O que você quer?
O que você sabe?
Não é fácil pra mim
Meu fogo também me arde
Às vezes  me vejo tão triste
 
Onde você vai?
Não é tão simples assim
Porque às vezes  meu coração
Não responde, só se esconde e dói
 
Por favor não vá ainda,
Espera anoitecer
A noite é linda, me espera adormecer      
Não vá ainda, não, não vá ainda

Me diga como você pode 
Viver indo embora, sem se despedaçar
Por favor me diga agora,
Ou será que você nem quer perceber?
Talvez você  seja feliz sem saber

Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que não causei
Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fiz
Nada do que quero me suprime
De que por não saber, ainda não quis

Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Só o que me cega, o que me faz infeliz
É o brilho do olhar que não sofri

Pode ir armando o coreto
E preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando

Põe meia dúzia de Brahma pra gelar
Muda a roupa de cama
Eu tô voltando

Leva o chinelo pra sala de jantar
Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar
Pode se perfumar
Porque eu tô voltando

Dá uma geral, faz um bom defumador
Encha a casa de flor
Que eu tô voltando

Pega uma praia aproveita tá calor
Vai pegando uma cor
Que eu tô voltando

Faz um cabelo bonito pra eu notar
Que eu só quero mesmo é despentear
Quero te agarrar
Pode se preparar
Porque eu tô voltando

Põe pra tocar na vitrola aquele som
Estréia uma camisola
Eu tô voltando

Dá folga pra empregada
Manda a criançada pra casa da vó
Que eu tô voltando