BRASIL EXPORT 73 – AGÔ KELOFÉ – À BRUXELLES

Simone e Roberto Ribeiro com João de Aquino
1973 – ODEON – LP (SMOFB 3803)
2003 – EMI – CD (593307 2)
Série: ‘ODEON – 100 Anos de Música no Brasil’
Direção: Hermínio Bello de Carvalho
Agô Kelofé - Simone et Roberto Ribeiro avec João de Aquino (guitare)
À Bruxelles - Brasil Export/73

Arte Gráfica: Laborgraf, São Paulo
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Lado A
Bamboleo, bambolea
A vida eu levo cantando
Pra não chorar

Todo mundo vive triste
Quase sempre reclamando
Mas eu que conheço a escrita
Deixo tudo e vou girando

Todo mundo vive triste
Fala, fala, o dia inteiro
O maldito dessa gente
É a falta de dinheiro

Neste mundo de ilusão
Só não goza quem não quer
Pois a vida só consiste
No dinheiro e na mulher

Tudo passa nessa vida
Nada fica pra semente
Não se matando a tristeza
A tristeza mata a gente

Bamboleo, bambolea
A vida eu levo cantando
Pra não chorar

Voltei pro morro
Quero ver o meu cachorro
Meu cachorro vira-lata
Minha cuíca e meu ganzá

Voltei pro morro
Mas onde está o meu moreno
Chamem ele pro sereno
Porque se eu não me esbaldar
Eu morro

Voltei pro morro
Mas onde estão minhas chinelas
Que eu quero sambar com elas
Vendo as luzes da cidade

Voltei, voltei
Ai se eu não mato essa saudade
Eu morro
Voltei pro morro
Voltei

Voltando ao berço do samba
Em outras terras cantei
Pela luz que me alumia
Eu juro

Que sem a nossa melodia
E a cadência dos pandeiros
Muitas vezes eu chorei
Chorei

E eu também senti saudade
Quando esse morro deixei
E é por isso que eu voltei pro morro

Xangô, Xangô
Ogum Dil, Ogum Dilê
Xangô, meu Pai
Dilodê
Já se foi lá na Aruanda
Já se foi, se vai

Caô
Maleime, meu pai, maleime
Xangô

Ô ô ô ô ô
Ô ô ô ô ô
Tetê angorô corumbá
Zi macumba não dá saravá
Zi muleque brada ponto
pra descê
Oxum Marê
pra salvar nossa terera
cundinga madunga marerê
Caô ô
Maleme, meu pai maleme
Xangô

Que navio é esse que chegou agora,
é o Paraguaçu que já vai embora

Na ladeira do Taboão
Eu caí, escorreguei
Quando eu olhei pra trás
Procurei as cadeiras
Não achei
Cadeira, pra bulir
Cadeira, pra mexer
Cadeira, o'i ela aqui
Cadeira, já encontrei

Oi, vai lavar o siri,
na maré
Oi, o siri vai lavar,
na maré
Siri cozido, siri assado,
siri com molho, bem temperado

Lado B
Quem é homem de bem
Não trai
O amor que lhe quer
Seu bem
Quem diz muito que vai
Não vai
Assim como não vai
Não vem

Quem de dentro de si
Não sai
Vai morrer sem amar
Ninguém
O dinheiro de quem
Não dá
É o trabalho de quem
Não tem
Capoeira que é bom
Não cai
E se um dia ele cai
Cai bem

Manhã, tão bonita manhã
Na vida uma nova canção
Em cada flor, o amor
Em cada amor, um bem
O bem do amor faz bem ao coração

Então vamos juntos cantar
O azul da manhã que nasceu
O dia já vem
E o seu lindo olhar
Também amanheceu

Canta o meu coração
Alegria voltou
Tão feliz a manhã deste amor

Quero chorar, não tenho lágrimas
Que me rolem na face
Prá me socorrer

Se eu chorasse
Talvez desabafasse
O que eu sinto no peito eu não posso dizer

Só porque não sei chorar
Eu vivo triste a sofrer

Boa noite a todos
À minha chegada
Mestre e contra-mestre
cordões na madrugada

Saúdo os marujos
Desta nau tão navegada
Vem trazendo Otolina
Com seu véu todo bordado
Lá pra frente morre um boi
A partilha é animada
Capitão já levou tudo
E o Mateus ficou sem nada

Deus lhe dê boa noite, Dona
Boa noite, Deus lhe dê, ó Sinhá Dona

Vim passando pela mata
Do Amazonas
Como vai, como passou, Sinhá Dona
Deus lhe dê boa noite, Dona