CAFÉ COM LEITE

1996 - POLYGRAM - CD (534.179-2)
1996 - POLYGRAM - K7 (534.179-4)
Uma produção PolyGram idealizada por Simone, Marcos Maynard e Max Pierre, dirigida por Max Pierre e Moogie Canázio.

Assistente do projeto: Melina Macca

* Produção da faixa ‘Ex-Amor’ dirigida por Rildo Hora

Dori Caymmi: Arranjos e violão em ‘Meu Laiá-Raiá’, ‘Samba da Cabrocha Bamba’ e ‘Quem É do Mar..’.;
Cesar Camargo Mariano: Arranjos e Teclados em ‘Disritmia’, ‘Canta, Canta’, ‘Beija, me Beija’, Piano Acústico em ‘Disritmia’, ‘Quem é do Mar’, ‘Samba da Cabrocha Bamba’ e ‘Meu Laiá-Raiá’;
Julio Teixeira: Arranjos e Teclados em ‘Se eu Soubesse’, ‘Iaiá do Cais Dourado’ e ‘Madalena do Jucu’;
Heitor T.P.: Arranjos, Violão e Guitarra em ‘Maré Mansa’; Violão e Guitarra em ‘Meu Laiá-Raiá’, ‘Beija, me Beija’; Violão em ‘Iaiá do Cais Dourado’ e ‘Se eu Soubesse’; Guitarra em ‘Madalena do Jucu’, ‘Canta, Canta’,’Disritmia’ e ‘Samba da Cabrocha Bamba’;

Graham Preskett: Regência em todas as faixas e arranjo de cordas em ‘Disritmia’;
Cezinha: Bateria;
Pedro Ivo: Baixo;
Paulinho da Costa: Percussão;
Luis Conte (e Paulinho): Percussão em ‘Beija, me Beija, me Beija’;
Zé Luiz e Bill Harris: Flautas

Gravação e mixagem: Moogie Canázio;
Gravação de voz em ‘Maré Mansa’, ‘Canta, Canta.’ e ‘Disritmia’: Marcelo Sabóia;
Em ‘Ex-Amor’: Jairo Gualberto e Guilherme Luis.

Gravação: Bases e Percussão: Sear Sound  (N.Y.); Voz, Coro, Pianos e Flautas: Hit Factory (N.Y.); Cordas: Abbey Road (Londres); Metais: Bill Schnee (L.A.); Percussão e Teclados: Castle Oaks (L.A.); voz: AR (Rio); ‘Ex-Amor’ gravada na Cia. dos Técnicos (Rio)

Assistentes: Tom Schick (N.Y.), Paul Falcone (N.Y.), Mike Ross (Londres), John Hendricks (L.A.) e Mike Arvold (L.A.)

Mixagem: Castle Oaks (L.A.); Assistente: June Murakawa

Masterização: Bernie Grundman

Metais: Trompete e Flugel: Jerry Hey e Gary Grant; Sax-alto e tenor: Larry Williams; Trombone: Bill Reinchenbach e Lou Mcreary

Naipe de Cordas (Londres): Graham Preskett (vinte violinos, dez violas, oito cellos e dois contrabaixos)

Capa:
Criação e Produção: Beth Lago;
Fotos: Fábio Ghivelder;
Maquiagem: Milton Martins;
Cabelo: Sacha;
Design: Gê Alves Pinto e Carolina Monza;
Estrelas: Marcia Santos;
Coordenação gráfica: Geysa Adnet

Agradecimentos: Obrigada a todos que colaboraram, acreditaram e participaram deste projeto. A todos da Polygram: Ana, ‘meu jeep’, Eva, Malu, Vivi, Maria Helena, Barney, William, Charles, Julinho, Claudio Rabello, Xam, Moogie, M&M, Jorge Lopes e equipe e a todos que a memória falhou. Um beijo especial ao meu e nosso Edinho ‘Edison Coelho’ e sua equipe. Outros beijos para Mario, Êras, Baby, Mel, Zé Edson, Vicente, Miltinho, Vitor, Mary, Luiz, Gloria, Yara e a todo o meu povo.

Martinho, ‘meu nego’,
obrigada por esta grande viagem
que você e seus parceiros me
proporcionaram. Foi muito bom,
Cléo e Preto, valeu!
(Simone)

Compartilhe esta página:
Se encontraram e se cruzaram
Nosso olhar e nosso jeito
As salivas misturadas
Num sabor mais que perfeito

Nosso corpos se entregando
Como boca no sorvete
Estamos bem misturados
Tal e qual café com leite

Pela própria natureza
Ela é minha mulher
Tão pureza, tão fogosa
Um botão que virou rosa
Pra ser o meu bem-querer

Beija, me beija, me beija
Beija, me beija, me beija

Não é Amélia, mas lava roupa
Seca louça e me dá banho
Me enxágua, me enxuga, mas
se vende caro
Pois não é ‘preta de ganho’
Me come, se acaba, inda diz 'ora veja'

Beija, me beija, me beija
Beija, me beija, me beija

Você é meu povo
Você é meu samba
Você é a bossa
E a minha voz
Pra você eu trago
Um sambinha novo
Que eu fiz na fossa
Pra cantar a sós
E também vieram
Beijos nunca dados
Abraços guardados
Pra você sentir
Mas eu quero mesmo
É me enroscar num leito
Apertar seu peito
E depois dormir

Dormir sonhando
com você enamorada
Minha noiva muito amada
Meu pedaço de mulher
Minha história, meu segredo
Minha estrela, minha fé
Minha escola, meu enrêdo
(Me cigarro) Vinho tinto e meu café

Lá laiá raiá, raiá raiá laiá
Você é o meu laiá raiá laiá
La laiá raiá, raiá raiá laiá
Você é o meu laiá raiá laiá

E também vieram...
Lá laiá raiá raiá  laiá
Apertar seu peito e depois...

Madalena, Madalena
Você é meu bem-querer
Eu vou falar pra todo mundo
Vou falar pra todo mundo
Que eu só quero é você
Eu vou falar pra todo mundo
Vou falar pra todo mundo
Que eu só quero é você

Minha mãe não quer que eu vá
Na casa do meu amor
Eu vou perguntar a ela
Eu vou perguntar a ela
Se ela nunca namorou

Madalena, Madalena...

O meu pai não quer que eu case
Mas me quer namorador
Eu vou perguntar a ele
Eu vou perguntar a ele
Por que ele se casou

Madalena, Madalena...

Eu fui lá pra Vila Velha
Direto do Grajaú
Só pra ver a Madalena
E ouvir tambor de Congo
Lá na Barra do Jucu

Eu quero
Me esconder debaixo
Dessa sua saia
Pra fugir do mundo

Pretendo
Também me embrenhar
No emaranhado
Desses seus cabelos

Preciso transfundir seu sangue
Pro meu coração
Que é tão vagabundo

Me deixa
Te trazer num dengo
Pra num cafuné
Fazer os meus apelos

Eu quero
Ser exorcizado
Pela água benta
Desse olhar infindo

Que bom
É ser fotografado
Mas pelas retinas
Desses olhos lindos

Me deixe hipnotizado
Pra acabar de vez
Com essa disritmia

Vem logo
Vem curar seu nego
Que chegou de porre
Lá da boemia

Eu quero...
Se eu soubesse que tu vinhas
Eu ia me preparar
Pra contar velhas histórias
Que eu preciso te contar
Se eu soubesse que tu vinhas
Eu ia me renovar
Atirava o lenço fora
Sem motivo pra chorar

Ai, meu bem, se tu soubesses
Que a surpresa da presença
Me maltrata mais que a dor
Que eu sofri com a descrença
Ai, meu bem, se tu soubesses
Que chegando de repente
Perturbaste quem te ama
E nem mais sabe o que sentes

Usarias teus encantos
Pra fazer-me acreditar
Me curar dos desencantos
E novamente me apaixonar

Se eu soubesse que tu vinhas...

Regressaste pra descompensar
E fazer minha doida cabeça rodar
Sem sorrir e nem lacrimejar
Eu fiquei sem cantar
Meu larararará

Samba
Da cabrocha bamba
Que sambando sonha
Com um lar na rua

Morro
Do malandro triste
A canção existe
Em noites de lua

Eu fui num samba
De terreiro iluminado
Vi um caboclo inspirado
Levando um samba de amor

E eu sambei, sambei, sambei
Cantei, cantei, afugentei a minha dor

Canta, canta, minha gente
Deixa a tristeza pra lá
Canta forte, canta alto
Que a vida vai melhorar

Cantem o samba-de-roda
O samba-canção e o samba rasgado
Cantem o samba-de-breque
O samba moderno e o samba quadrado

Cantem ciranda, o frevo
O coco, maxixe, baião e xaxado
Mas não cante essa moça bonita
Porque ela está com o marido do lado

Canta, canta, minha gente
Deixa a tristeza pra lá
Canta forte, canta alto
Que a vida vai melhorar

Quem canta seus males espanta
Lá em cima do morro ou
sambando no asfalto
Eu canto o samba-enredo
Um sambinha lento e um partido-alto

Há muito tempo não ouço
O tal do samba sincopado
Só não dá pra cantar mesmo
É vendo o sol nascer quadrado

Quem é do mar não enjoa
Não enjoa
Chuva fininha é garoa
É garoa
Homem que é homem não chora
Não, não chora
Quando a mulher vai embora
Vai embora

Quem quiser saber seu nome
Não precisa perguntar
É o Martinho lá da Vila
Partideiro devagar
Quem quiser falar com ele
Não precisa procurar
Vá aonde tiver samba
Cléo e ele estão por lá

Mas quem é do mar não enjoa...

Eu cheguei no samba agora
Mas aqui eu vou ficar
Pois quem é mesmo do samba
Vai até o sol raiar
O sereno tá caindo
Tá caindo devagar
Vai cair chuva miúda
E o samba não vai parar

Mas quem é do mar não enjoa...

Serenou lá na Mangueira
Serenou lá na Portela
Serenou em Madureira
Serenou lá na favela
Serenou lá no Salgueiro
Serenou lá no Capela
Serenou na minha casa
Serenou na casa dela

Quem é do mar não enjoa...
No Cais Dourado da velha Bahia
Onde estava o capoeira
A Iaiá também se via
Juntos na feira ou na romaria
No banho de cachoeira
E também na pescaria
Dançavam juntos em todo
fandango e festinha
E no reisado, contramestre e pastorinha
Cantavam laiá lalaiá iaiá

Nas festas do Alto do Gantois
Mas loucamente a Iaiá do Cais Dourado
Trocou seu amor ardente
Por um moço requintado
E foi se embora
Passear em barco a vela
Desfilando em carruagem
Já não era mais aquela
E o capoeira que era valente chorou
Até que um dia a mulata
Lá nos cais apareceu
E ao ver o seu capoeira
pra ele logo correu
Pediu guarida, mas o capoeira não deu
Desesperada, caiu no mundo a vagar
E o capoeira ficou com
seu povo a cantar

Lalaiá Iaiá
Pode sorrir se quiser
Que eu não vou me incomodar
Sei que contra a maré
A gente não pode remar
Agora sei a dor de uma ingratidão
Mas a maré vai levar
As mágoas do meu coração
Remo no barco da vida
Água bate, não me cansa
Sempre na maré pesada
Sonhando com a maré mansa
Pescador já não se assusta
Com sorriso de sereia
E depois da maré baixa
Sempre vem a maré cheia
Ex-amor
Gostaria que tu soubesses
O quanto que eu sofri
Ao ter que me afastar de ti

Não chorei
Como um louco até sorri
Mas no fundo só eu sei
As angústias que senti

Sempre sonhamos com o mais
eterno amor
Infelizmente, eu lamento, mas não deu
Nos desgastamos, transformando
tudo em dor
Mas mesmo assim, eu acredito
que valeu

Quando a saudade bate forte
é envolvente
Eu me possuo e é na sua intenção
Com a minha cuca naqueles
momentos quentes
Em que se acelerava o meu coração