CIGARRA

1978 - EMI-ODEON - LP (31C 064 421089D)
1978 - EMI-ODEON - K7 (31C 264 421089)
1993 - EMI - CD (364 793313 2)
Músicos de base:
Teclados: Paulo Carvalho Willcox
Baixo: Ivani Sabino
Bateria: William Caram
Guitarra, Viola, Violão: Olmir Stocker (Alemão)
Percussão: Dazinh, Chacal, Paulo Cézar Willcox, José Eduardo

Gilberto Gil gentilmente cedido pela WEA

Produtor Fonográfico: EMI-ODEON Fonof. Indl e Eletrônica S.A.

Direção artística: Milton Miranda
Direção de produção: Renata Corrêa
Orquestração e regência: Paulo Cézar Willcox
Criação e ilustração interna: Fernando Pinto
Arte Final: Tadeu Valério
Fotos: Vânia Toledo
Cafezinho: Seu Nonato

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Lado A
Porque você pediu
Uma canção para cantar
Como a cigarra
Arrebenta de tanta luz
E enche de som o ar

Porque a formiga é
A melhor amiga da cigarra
Raízes da mesma fábula
Que ela arranha, tece
E espalha no ar
Porque ainda é inverno
Em nosso coração
Essa canção é para cantar
Como a cigarra acende o verão
E ilumina o ar

Zi zi zi zi zi zi...

E a nossa casa
Como é que vai indo
Eu estou aqui
De peito ferido
É minha pequena
É minha paixão
Essa minha saudade
Alimenta o coração

Eu homem menino
Preciso daí
Desse nosso sol
Da nossa cor tão tropical
Do nosso amor tão natural

Eu sou uma ilha
Longe de você
Essa nossa saudade
Alimenta o coração

E a nossa casa
Como é que vai indo
Chegarei aí
De peito aberto
Alô
Amigo velho/novo
Como vai
Mas que prazer
Alô
Eu trago novidade das pessoas
Pra você
Por lá
Se continua com a mesma emoção
Por lá
Se dança ainda ao som de um grande coração
A gente vai levando
Quer se queira, goste ou não
Fé na estrada
Facão

Alô
Petúnia Resedá já estou chegando em casa
Alô
Uma saudade imensa me queima, me arrasa
Eu gostaria que você tivesse sempre em mente
Que é justamente o nosso amor que me leva em frente
Por isso a cada dia um lugar bem diferente
Preciso conhecer e abraçar mais gente

É importante dar notícias
Boca a boca
Mão na mão
Por isso vou cantando pé na estrada
Aquela simples canção
Muito que andar por aí
Muito que viver por aí
Muito que aprender
Muito que aprontar
Por aí

Se a morte faz parte da vida
E se vale a pena viver
Então morrer vale a pena
Se a gente teve o tempo para crescer
Crescer para viver de fato
O ato de amar e sofrer
Se a gente teve esse tempo
Então vale a pena morrer

Quem acordou no dia
Adormeceu na noite
Sorriu cada alegria sua
Quem andou pela rua
Atravessou a ponte,
Pediu bênção a dindinha lua
Não teme a sua sorte,
Abraça a sua morte
Como a uma linda ninfa nua

Para o que o suor não me deu
O fogo do amor ensinou
Ser o barro embaixo do sol
Ser chuva lavrando o sertão
Qual Aleijadinho de Sabará
E a semente das bananas

Para o que não tem solução
A sede do peixe ensinou
Não me vale a água do mar
Nem vinho, nem glória, navio
Nem o sal da língua que beija o frio
Nem ao menos toda raiva

Para o que não tem mais razão
A calma do louco ensinou
A dizer nada

Para o que não tem mais nada
A calma do louco ensinou
A dizer razão

Lado B
Você me deixa um pouco tonta, assim meio maluca
Quando me conta essas tolices e segredos
E me beija na testa, e me morde na boca
e me lambe na nuca
Você me deixa surda e cega, você me desgoverna
Quando me pega, assim nos flancos e nas pernas
Como fosse o meu dono ou então meu amigo
ou se não meu escravo

Eu sinto o corpo mole e eu quase que faleço
Quando você me bole e bole e mexe e mexe
E me bate na cara, e me dobra os joelhos
e me vira a cabeça
Mas eu não sei se quero ou se não quero
Esse insensato amor que eu desconheço
E que nem sei se é falso ou se é sincero
Que me despe e me vira pelo avesso

Não eu não sei se gosto ou se não gosto
De sentir o que eu sinto e que me atormenta
E eu confesso que tremo desse sentimento
Que de repente chega e que me ataca
E assim me faz perder-me e nem saber
Se esses carinhos são suaves ou velozes
Se o que escuto é o silêncio ou se ouço vozes

Diga lá meu coração
Da alegria de rever
Essa menina
E abraçá-la
E beijá-la
Diga lá meu coração
Conte as histórias das pessoas
Das estradas dessa vida

Chore essa saudade estrangulada
Fale sem você não há mais nada
Olhe bem nos olhos da morena
E veja lá no fundo
A luz daquele sol
De primavera
Durma qual criança no seu colo
Sinta o cheiro forte do teu solo
Passe a mão nos seus cabelos negros
Diga um verso bem bonito e vá embora

Diga lá meu coração,
Que ela está dentro
Do teu peito e bem guardada
E que é preciso
Mais que nunca prosseguir

Se você pretende,
Saber quem eu sou,
Eu posso lhe dizer
Entre no meu carro
Na estrada de Santos,
E você vai me conhecer
Você vai pensar que eu
Não gosto nem mesmo de mim
E que na minha idade
Só a velocidade
Anda junto a mim

Só ando sozinho
E no meu caminho
O tempo é cada vez menor (é bem menor)
Preciso de ajuda,
Por favor me acuda,
Eu ando muito só (eu estou sempre só)
Mas se acaso, numa curva
Eu me lembro do meu mundo
Eu piso mais fundo
Corrijo num segundo,
Não posso parar, não quero e nem devo parar

(É que) eu prefiro as curvas,
Da estrada de Santos
Onde eu tento esquecer
Um amor que eu tive
E vi pelo espelho
Na distância se perder
Mas se o amor que eu perdi
Eu novamente encontrar
As curvas se acabam
E na estrada de Santos
Eu não vou mais passar

Ela disse-me assim
Tenha pena de mim,
Vá embora
Vais me prejudicar
Ele pode chegar,
Está na hora
E eu não tinha motivo nenhum
Para me recusar
Mas aos beijos caí em seus braços
E pedi pra ficar
Sabe o que se passou
Ele nos encontrou,
E agora
Ela sofre somente porque
Foi fazer o que eu quis
E o remorso está me torturando
Por ter feito a loucura que eu fiz
Por um simples prazer
Fui fazer meu amor infeliz
Não quero saber quem sou
Morro de medo
Nem quero saber aonde vou
É muito cedo
Talvez se eu arrancasse
De minha língua o sinal
Talvez se eu inventasse
O juízo final
Talvez se eu prometesse sangue e pudins
Ou se eu costurasse a roupa dos querubins
Mas o que eu quero saber
É o que apronta esse lado
Do teu rosto
E o que faz o sossego morar
No que está posto
Não guardo segredo
Mas sou bem secreto
Sou bem secreto
É que eu mesmo não acho a chave de mim