FESTA BRASIL

Simone e João de Aquino
1974 - ODEON - LP (SDP 552)
2008 - EMI - CD (379736 2) - Caixa ‘O Canto da Cigarra nos Anos 70′
Produzido por  Hermínio Bello de Carvalho

SIMONE
Singer

She has come from Salvador, Bahia, to become one of the most discussed interpreters of the musical world in Brazil.
Her strong temperament, her involving personality have greatly furhtered her recent international launching.
Her appearance on the stage of the "Olympia" was an overwhelming success, shortly after repeated in Brussels where "Le Soir" described her as: "a great singer with a madonna smile, feline to the tips of her fingers, a fragile sensuality transpiring in each of her songs".
Her ODEON records have been warmly welcome by both the public and critics.

JOÃO DE AQUINO
Guitar

Besides being an incredible guitarrist (Turibio Santos once wrote: "he has tens of fingers on each hand"), he is also a great composer - his " Voyage" was the most often played song in 1973. When performing in Germany, France and Belgium he demonstrated peculiarly dynamic style of execution, absolutely Brazilian in expressional form, of a high rhythmical voltage. He records for ODEON and his compositions appear in the repertoires of the most famous Brazilian and international interpreters, like Paul Mauriat.

HERMINIO BELLO DE CARVALHO
Diretor

Stage manager, poet and lecturer, composer and also intepreter 
of popular music as well as record producer. Expert on Villa-Lobos and musical customs in Brasil and author of a great number of successful musical shows, which have also been staged in Europe. Author and general director of " Festa Brasil", assisted by Marcos Flaksman, responsible for costumes and lighting of the spectacle.

(Texto de contracapa do LP 'Festa Brasil')

SIMONE
cantora

Ela veio de Salvador, Bahia, para se tornar numa das mais polemicas intérpretes no mundo musical do Brasil.
Seu forte temperamento, sua personalidade envolvente foram 
de grande incentivo para o seu recente lançamento internacional.
Seu aparecimento no palco do “Olympia” foi um avassalador sucesso, rapidamente repetido logo a seguir em Bruxellas onde 
o “Le Soir” a descreveu como: “Uma grande cantora, com sorriso de Madona, felina até a ponta dos seus dedos, uma frágil sensualidade transpirando em cada uma das suas músicas”.
Seus discos pela Odeon foram calorosamente recebidos tanto
pelo público como pela crítica.

JOÃO DE AQUINO
violão

Para além de ser um incrível guitarrista (Turíbio Santos uma vez escreveu que ele tinha dez dedos em cada mão), ele é também um grande compositor – sua “Viagem” foi a música mais tocada em 1973. Atuando na Alemanha, França e Bélgica ele demonstrou um estilo peculiar de execução, dinâmico, absolutamente brasileiro na sua forma de expressão, de uma voltagem rítmica altíssima. 
Ele grava para a Odeon e as suas composições aparecem nos repertórios dos mais famosos intérpretes brasileiros 
e internacionais, como Paul Mauriat.

HERMÍNIO BELLO DE CARVALHO
diretor

Produtor, poeta e conferencista, compositor e também intérprete de música popular bem como produtor de discos. É profundo conhecedor  de Villa-Lobos e tradições musicais brasileiras 
e autor de um grande número de espetáculos musicais de sucesso,
que também foram levados ao palco na Europa. Autor e diretor geral de “Festa Brasil”, assessorado por Marcos Flaksman, responsável pelos figurinos e iluminação do espetáculo.

(Texto de contracapa do LP 'Festa Brasil')
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Lado A
Ai minha mãe
Minha Mãe Menininha
Ai minha mãe
Menininha do Gantois
A estrela mais linda, hein? 
Tá no Gantois
E o sol mais brilhante, hein? 
Tá no Gantois
A beleza do mundo, hein? 
Tá no Gantois
E a mão da doçura, hein? 
Tá no Gantois
O consolo da gente, hein? 
Tá no Gantois, tá no Gantois
E a Oxum mais bonita, hein? 
Tá no Gantois
Olorum quem mandou
Essa filha de Oxum
Tomar conta da gente
E de tudo cuidar
Olorum quem mandou ô ô
Ora iê iê ô...
Ora iê iê ô...
Se a gente lembra só por lembrar 
O amor que a gente um dia perdeu 
Saudade entonce assim é bom 
P’ro cabra se convencer 
Que é feliz sem saber 
Pois não sofreu

Porém se a gente vive a sonhar 
Com o amor que um dia a gente perdeu 
Saudade entonce assim é ruim 
Eu tiro isso por mim 
Que vivo doido a sofrer

Ai quem me dera voltar 
P’ros braços do meu xodó 
Saudade assim faz doer (roer)
E amarga qui nem jiló 
Mas ninguém pode dizer 
Que me viu triste a chorar 
Saudade o meu remédio é cantar 
Saudade o meu remédio é cantar
Todos os meus pensamentos 
Vou botar em dia
Vou viver a vida agora 
Como eu não vivia

Eu vou me mudar daqui
Vou morar no interior
Eu agora quero ouvir
Sapos, grilos, meu amor

E ler até cansar
Sobre teu corpo de estrelas deitar
Numa casa com lareira
Pro inverno não matar

Fogo aceso a noite inteira 
E depois de clarear
Vamos andar a cavalo e  brincar
Sair, respirar esse chão, esse ar

Xô, xô, barata
Nas cadeiras da mulata
A barata tá danada
Tá mordendo ela
Quem me tira essa barata 
Das cadeiras dela?

Xô, xuá, cada macaco no seu galho
Xô, xuá, eu não me canso de falar
Xô, xuá, o meu galho é na Bahia
Xô, xuá, o seu é em outro lugar

Não se aborreça moço da cabeça grande
Você vem não sei de onde, fique aqui, não vá pra lá
Esse negócio da mãe preta ser leiteira
Já encheu sua mamadeira, vá mamar noutro lugar

Se essa mulher fosse minha
Eu tirava do samba já, já
Dava uma surra nela e ela gritava: chega!

Chega! Óh meu amor
Eu vou me embora pra São Salvador, eu vou

A baianinha deu sinal, 
A baiana deu sinal, lê lê lê baiana
A baiana me pega, me joga na lama, eu não sou camarão
Camarão me chama

Lado B
Quando a lua sair
Ele vai girar
Quando a lua sair
Ele vai girar
Ô, chegou desengana
Teimoso de Umbanda
É filho de Ogum
Neto de Oxalá

Lua cheia, luar
Que chega de Aruanda
Areal, beira-mar
É o caricó de Umbanda
Povo chega, luar
Desengana, mironga
Candeeiro, alumeia
Que a maré mareia
Que ele vai chegar

Pau-de-aroreira é pau
É ripa de Aruanda
Que sina do Areal
Que espera pra demanda
Que é pau de aroeiral
A principal mironga
Se ilumina, candeia
Rodeada de areia
Pra mim não brigar

Não há mais luar sobre essa estrada
Nosso amor não deu em nada
Quem me dera ter um gesto teu
Só prá enfeitar a despedida
Pois o que se leva da vida 
É saudade, tristeza e um pranto prá chorar

Vai, eu sei que mais não pode ser
Deixa a vida acontecer, peço apenas por consolação
Um favor, por favor, deixe estar, deixe andar
Quem sabe da dor é meu coração

Oh, tristeza, me desculpe
Tô de malas prontas
Hoje a poesia veio ao meu encontro
Já raiou o dia, vamos viajar
Vamos indo de carona, na garupa leve
Do vento macio que vem caminhando
Desde muito tempo, lá do fim do mar

Vamos visitar a estrela da manhã raiada
Que pensei perdida pela madrugada
Mas que vai escondida, querendo brincar
Senta nessa nuvem clara, minha poesia
Anda, se prepara, traz uma cantiga
Vamos espalhando música no ar

Olha quantas aves brancas, minha poesia
Dançam nossa valsa pelo céu que o dia
Fez todo bordado de raios de sol
Oh, poesia, me ajude, vou colher avencas
Lírios, rosas, dálias, pelos campos verdes
Que você batiza de jardins do céu

Mas, pode ficar tranqüila, minha poesia
Pois nós voltaremos numa estrela-guia
Num clarão de lua quando serenar
Ou, talvez, até quem sabe, nós só voltaremos
Num cavalo baio, no alazão da noite
Cujo nome é raio, raio de luar

Viva a Bahia, camará
Sou eu, sou eu
Maculelê, sou eu

Tindolelê auê Cauiza 
Tindolelê é sangue real 
Eu sou filha, eu sou neta de Aruanda 
Tindolelê auê Cauiza 

Ô Cauíza, ô Cauiza
É Orixá, nas terras de Deus
Amém
É Orixá

Eu dei um tiro na sapucaia
Não tem caboclo que não ouça
Que não caia

Ô Cauíza, ô Cauiza
É Orixá, nas terras de Deus
Amém
É Orixá

Sou eu, sou eu
Sou eu Maculelê, sou eu