QUATRO PAREDES

1974 - ODEON - LP (SMOFB 3826)
1974 - ODEON - K7 (31C 264 421037)
1997 - EMI - CD - (859152 2) - Caixa ‘Portfólio’
Produtor Fonográfico: Ind.Elet. e Musicais Fábrica Odeon S.A
Equipe de Produção artístico-fonográfica realizadora deste disco:
Diretor de Produção: Milton Miranda
Diretor Musical: Maestro Gaya
Assistente de Produção: Hermínio Bello de Carvalho
Orquestrador e Regente: Maestro Luizinho Eça
Diretor Técnico: Z. J. Merky
Técnico de Gravação: Dacy/ Toninho
Técnico de Laboratório: Willy Paiva Moreira
Técnico de Remixagem: Nivaldo Duarte
Lay-Out: Luiz Pessanha
Foto: Walter Firmo
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Lado A
Ta lá o corpo estendido no chão
Em vez de rosto uma foto de um gol
Em vez de reza uma praga de alguém
E um silêncio servindo de Amém

O bar mais perto depressa lotou
Malandro junto com trabalhador
Um homem subiu na mesa do bar
E fez discurso pra vereador

Veio um camelô vender anel, cordão, perfume barato
Baiana pra fazer pastel
E um bom churrasco de gato
Quatro horas da manhã baixou
Um santo na porta-bandeira
E a moçada resolveu parar e então

Ta lá o corpo estendido no chão
Em vez de rosto uma foto de um gol
Em vez de reza uma praga de alguém
E um silêncio servindo de Amém

Sem pressa foi cada um pro seu lado
Pensando numa mulher ou num time
Olhei o corpo no chão e fechei
Minha janela de frente pro crime

Não há mais luar sobre essa estrada
Nosso amor não deu em nada
Quem me dera ter um gesto teu
Só pra enfeitar a despedida
Pois o que se leva da vida
É saudade, tristeza e um pranto pra chorar

Vai, eu sei que mais não pode ser
Deixa a vida acontecer, peço apenas por consolação
Um favor, por favor, deixe estar, deixe andar
Quem sabe da dor é meu coração

Olhando na quarta-feira as ruas vazias
Com os garis dando um jeito em nossa moral
Custei a compreender que fantasia
É um troço que o cara tira no Carnaval

E usa nos outros dias por toda a vida
Dizendo: ‘Olá! Como vai?’ e coisas assim
O nó da gravata apertando o pescoço
Olhando o fundo do poço e rindo de mim

Ria, rasguei a fantasia, ria
Queimei a garantia, ria
Tô solto por aí
Doido, eu danço de Pierrot, triste
Morrendo em meu amor, ria
Vendo você morrer de rir

Pede pelo amor de Deus
É fácil, tão fácil
Pedir o meu perdão
Tão fácil, é fácil
Difícil é perdoar
Difícil é perdoar

O que eu passei
As dores mais cruentas que eu passei
As coisas dolorosas que amarguei
As provações amargas que eu danei

Até aí confesso que é fácil
Porém, a partir daí, lembrar de ti,
Amargo

Meu Deus é tão difícil
O ofício difícil
É, não tenho palavras pra dar
Na boca vai ficar um salamargo
Aí vai azedar todo passado
Aí então vai ser muito difícil
Morrer, morrer

Já me despedi agora eu sei
Agora eu sei
Que vou me embora
Chegou a hora do adeus

Não tente fazer com que eu fique
Pois tristeza eu não carrego mais
Tenho tanta paz que eu já nem penso
Em sofrer como eu sofria

Se teus olhos me dissessem a verdade
Eu talvez ficasse
Mas não sei se o caso é de saudade
Ou de não crer
Mas que vontade de ficar

Posso até voltar se os meus olhos
Se cansarem de chorar
Fico esperando se for sonho
E eu me entregue nos teus braços
Em abraços, nos teus braços
Com amor

Não se esqueça de mim
Não se perca de mim
Não desapareça

A chuva tá caindo
E quando a chuva começa
Eu acabo de perder a cabeça

Não saia do meu lado
(Segure) Se grude em meu pierrot molhado
E vamos embolar ladeira abaixo
Acho que a chuva ajuda a gente a se ver
Venha, veja, deixa, beija
Seja o que Deus quiser

Lado B
É quando me olhas com esses olhos de cobra
É quando me falas com essa boca de fogo
Que eu sinto nos olhos vontade pra te dar um bote
Mas guardo na boca um veneno doce

É quando me tocas com esses dedos de louça
Que eu faço e disfarço no peito um desejo de morte
É quando provocas num jeito de muriçoca
Que voa e revoa em volta mas não toca

É quando te afastas e a tua falta
Me entope a garganta e esse grito sufoca
É quando não falas num silêncio de morte
Que a boca me cala e o meu corpo morre

E morro de sede quando chega a hora
Nas quatro paredes quando vais embora
E morro de sede quando chega a hora
Nas quatro paredes quando vais embora

Que desgosto este meu
Que me faz não viver
E penetra no meu poço fundo
E ainda raspa no fundo um resto que sobra de meu

Que desgosto este meu
Que me veste de noite
Me cobre na noite, me deixa tão negra
Brilhando na noite
De prantos que colhem do mundo que sou

Meu mundo calado, de muito magoado
Que desgosto este meu
Que me cobre em cansaços
Desfeitos pedaços de sonhos tão meus
Meu mundo calado, de muito magoado
Que desgosto este meu

Fiz meu rancho na beira do rio
Meu amor foi comigo morar
E na rede, nas noites de frio
Meu bem me abraçava pra me agasalhar

Mas agora meu bem vou-me embora
Vou-me embora e não sei se vou voltar
E a saudade nas noites de frio
Em meu peito vazio virá se aninhar

A saudade mata a gente, morena
A saudade é dor pungente, morena
A saudade mata a gente, morena
A saudade mata a gente

Você fica deitada de olhos arregalados
Ou andando no escuro de ‘peignoir’
Não adiantou nada
Cortar os cabelos e jogar no mar
Não adiantou nada o banho de ervas
Não adiantou nada o nome da outra
No pano vermelho, pro anjo das trevas

Ele vai voltar tarde
Cheirando à cerveja
Se atirar de sapato na cama vazia
E dormir na hora, murmurando: ‘Dora’
Mas você é Maria

Você fica deitada com medo do escuro
Ouvindo bater no ouvido
O coração descompassado
É o tempo, Maria, te comendo feito traça
Num vestido de noivado

Eu te proponho
Nós nos amarmos
Nos entregarmos
Neste momento
Tudo lá fora deixar ficar
Eu te proponho
Te dar meu corpo
Depois do amor
O meu conforto
E além de tudo
Depois de tudo
Te dar a minha paz
Eu te proponho
Na madrugada
Você cansada
Te dar meu braço
No meu abraço
Fazer você dormir
Eu te proponho
Não dizer nada
Seguirmos juntos
A mesma estrada
Que continua
Depois do amor
No amanhecer

Eu te proponho
Te dar meu corpo
Depois do amor
O meu conforto
E além de tudo
Depois de tudo
Te dar a minha paz
Eu te proponho
Na madrugada
Você cansada
Te dar meu braço
No meu abraço
Fazer você dormir
Eu te proponho
Não dizer nada
Seguirmos juntos
A mesma estrada
Que continua
Depois do amor
No amanhecer
No amanhecer
Eu te proponho
Se a gente lembra só por lembrar
Do amor que a gente um dia perdeu
Saudade entonce assim é bom
Pro cabra se convencer
Que é feliz sem saber
Pois não sofreu

Porém se a gente vive a sonhar
Com o amor que um dia a gente perdeu
Saudade entonce aí é ruim
Eu tiro isso por mim
Que vivo doido a sofrer

Ai quem me dera voltar
Pros braços do meu xodó
Saudade assim faz doer (roer)
E amarga qui nem jiló
Mas ninguém pode dizer
Que me viu triste a chorar
Saudade o meu remédio é cantar
Saudade o meu remédio é cantar