SIMONE

1980 - EMI-ODEON - LP (31C 064 422879)
1980 - EMI-ODEON - K7 (31C 264 422879)
1993 - EMI - CD (364-789328-2) - Série: '2 em 1'
Músicos:
Ritmos: Marçal, Luna
Guitarra: Sérgio Dias
Trompetes: Nilton Rodrigues, Bidinha, Darcy da Cruz
Saxes alto: Jaime Araújo, Jorginho, Ricardo Pontes
Saxes tenor: Leo Gandelman, José Carlos Ramos
Oboé: Braz Limonge
Clarineta: Netinho
Fagote: Bruno
Trombones baixo: Serginho, Macaxeira, Flamarion
Trombone de Vara: Ed Maciel
Trompas: Toninho, Pirulito, Swab
Flautas: Luizinho, Ricardo Pontes, José Carlos, Jaime Araújo, Jorginho
Violinos: Pareshi (Spala), Vidal, José Alves, Aizik, Faini, Carlos Eduardo, Walter Hack, Paschoal Perrota, José Lana, Virgílio, Luiz Carlos, Piersanti, Ricardo, Gentil, Vetere, Marcello, Daltro
Violas: Penteado, Macedo, Hidemburgo, Stephany, Pissarenko, Nathercia
Cellos: Watson, Alceu, Márcio, Atelisa, Bariola, Iura, Zamith, Nani
Baixo Acústico: Sandrino, Edson Lobo

Produtor Fonográfico: EMI-ODEON
Direção de Produção: Renato Corrêa
Produção Executiva: Renato Corrêa/ Simone
Orquestrações e regências: Eduardo Souto Neto (5 - Lado A)
Luiz Avelar (3 - Lado A / 1 - Lado B)
Gilson Peranzzetta (1,2,4,5 - Lado A / 2,3,4 Lado B)
Técnicos de Gravação : Amaro Moço
Técnico de Remixagem e Voz: Franklin Garrido
Corte: Osmar Furtado
Coordenação Gráfica: Tadeu Valério
Foto: Fernando Carvalho
Arte - Final: Bruno Speranza
Lay - Out: Noguchi

Coro das Músicas ‘Música, Música’ e ‘Novo Tempo’
Maneco Valença, Jussara Valença, Elda Priami, Ronaldo Resedá, Cláudio Nucci, Paulinho Braga, P. C. Pinheiro, Clara Nunes, Maurício Tapajós, Virgínia Tapajós, Chiquinho Rodrigues, Regina Corrêa, Waldir Batista, Renato Corrêa, Renata de Moraes, Ronaldo Corrêa, Pingo, Rubinho, Ricardo Villas, Marcus Vinícius,  Waldir da Anunciação, Bruno Speranza, Tadeu Valério, Franklin, Ricardo Rangel, Mayrton Bahia, Sirlan, Fernando Carvalho, Nana Caymmi, Damião Rangel, Valério, Flávio Rangel, Sueli Costa, Abel Silva, Rachel, Odete, Fátima Guedes, Roberto Correa, Carlinhos, Ricardo Silveira, Santo Filho, Lima, Eduardo Soares, Aires, Guilherme, Lessa

Presenças Brilhantes:
Mario Troncoso, Josée Enoel, Vitor Martins, Luiz Avelar, Lucinha Lins, Djavan, Paulinho Albuquerque, Zeluiz, Cezaré, Ivan Lins, Mayrton, Toninho Moraes, Elda Priami, Lula, Maurício Tapajós, Toinho, Toquinho, Carlinhos Pirata, Margarida Mangabeira, Clotildes Monteiro, Carlinhos Vergueiro, Ailton, Joyce, Sueli Costa, Abel Silva, Claudinho Gaia, Luiz Alves, Rubinho, Wagner Tiso, Giselle, Helô, Reginaldo, Maria Helena, Ricardo, Marcelo, Mariozinho Rocha, Fagner, Noguchi, Monique, Letícia (Mãe), Otto (Pai), Fátima Guedes, Elis, Ribamar, Nana Caymmi, Dori Caymmi, P. C. Pinheiro, Maurício Tapajós, Roberto Ribeiro, Sonia Saldanha, Bel Noguchi, Cleide (Gorda), Giba, Lucinha Turnbull, Edison Coelho, Roberto Augusto, Rachel, Odete, Salmiro, Ariza, Cristina, Martinha, Nivaldo, Roberto, Flávio Rangel, Bell Marcondes, Fátima, Poponha, Robertao, Reginaldo, Sandra

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Lado A
Música, Música
Companheira do quarto dos rapazes
Entre revistas e fumaça
Confidente do quarto das meninas
Entre calcinhas e sandálias
Música, Música

Farol na cerração dos grandes medos
A força que levanta os bailarinos
Elétrica guitarra entre os dedos
Aflitos e quentes dos meninos
Música, Música

Irmã, imã, irmã
Feroz como a ira do Irã
Ou mansa como o último carinho
Quando já chega a manhã
Música, Música

Maestro: Gilson Peranzzetta
Baixo: Alexandre Malheiros
Bateria: Paulinho Braga
Guitarra: Hélio Delmiro
Piano: Gilson Peranzzetta

Estou mais atrevida
Mordaz e ferina
Estou cheia de vida
Sagaz e ladina
Já não sou mais a mesma
Respiro outros ares
Navego outros mares
São tantos olhares
Convites, sorrisos
Eu gosto, eu preciso, pois é
Que ficou impossível não ver
Mudei de você
Por isso me esqueça
Virei a cabeça

Nas noites mal dormidas
Rezava seu nome
Olhava na janela
Chorava seu nome
Mexia em sua roupa
Gemia seu nome
Morria de sede
Subia as paredes
Me amava sozinha
Você não me vinha, pois é...
Que ficou impossível não ver
Mudei de você
Já não me inicia
Já não me arrepia

Estou mais atrevida
Tô cheia de vida
Você não me provoca
Nem quando me toca
Agora eu tenho é fome
De homem que seja feliz

Maestro: Gilson Peranzzetta
Baixo: Alexandre Malheiros
Bateria: Paulinho Braga
Guitarra: Hélio Delmiro
Piano Acústico: Ivan Lins
Piano Elétrico: Gilson Peranzzetta

Porque vocês não sabem
Do lixo ocidental
Não precisam mais temer
Não precisam da solidão
Todo dia é dia de viver
 
Porque você não verá
Meu lado ocidental
Não precisa medo não
Não precisa da timidez
Todo dia é dia de viver

Eu sou da América do Sul
Eu sei, vocês não vão saber
Mas agora sou ‘cowboy’
Sou do ouro, eu sou vocês
Sou do mundo, sou Minas Gerais

Maestro: Luiz Avelar
Baixo: Sizão
Bateria: Paulinho Braga
Guitarra: Hélio Delmiro
Piano Yamaha: Luiz Avelar
Moog Min: Luiz Avelar

Sou Morena
A rainha morena da tribo de Iracema
Sou morena
Ando nua na selva encantada de Ipanema
Sou a índia brasileira
Tenho as pratas e os ouros das matas na bandeira
Bugigangas
Quero mesmo é as contas de vidros e as miçangas
Tenho tudo o que pedir
Segura xará que é isso aí
Voltei a falar a língua tupi
Na aldeia global que é isto aqui
Que vai do Oiapoque ao Chuí
Mesmo pobre de marré decí
Eu sou brasileira e tô aí

Sou Morena
Já nasci mesmo pra ser escrava dos sistemas
Sou Morena
Pouco a pouco porém rebentei minhas algemas
Sou de paz, mas sou guerreira
Devagar chego lá derrubando essas fronteiras
Tô de tanga
Mesmo assim já tô dando o meu grito do Ipiranga
Quero tudo o que perdi
Eu quero escolher o que não escolhi
Quero ser cacique guarani
Poder crer no me pajé daqui
Ter como quiser meu bacuri
Mesmo pobre de marré decí
Eu sou brasileira e tô aí

Maestro: Gilson Peranzzetta
Baixo: Alexandre Malheiros
Bateria: Paulinho Braga
Violão: Hélio Delmiro
Piano Acústico: Gilson Peranzzetta

E daí?
Pouco importa se você se importa
Ou se interessa ou não se interessa
É fim de conversa,
Eu volto pra vida
Que deixei lá fora, na rua

E daí
Vou sentindo a demora
De ver que o vulcão,
Que meu peito devora
Não teve a resposta,
A contra-proposta
Da parte que é tua,
Fui tua

E daí?
É uma pena que a moça não seja
de cama e mesa
Um bicho, uma presa,
que depois de usada se guarda ou se joga
Na lata do lixo

E daí?
Eu sou uma mulher,
Uma parte comum
De um jogo qualquer,
Pra perder ou ganhar
Ou aquilo que for,
Mas os dois com a mão na colher

E daí?
Digo a frase maldita
E pra mim pouco importa
Se você acredita
Eu te amo e não temo este amor
Já vou indo vou levando esta dor
Vou em paz,
Pois não temo a dor de amar demais
E daí?!

Maestro: Gilson Peranzzetta
Baixo: Alexandre Malheiros
Bateria: Paulinho Braga
Piano acústico: Hélio Delmiro
Piano elétrico: Gilson Peranzzetta

Lado B
Quando eu soltar a minha voz,
Por favor, entenda
Que palavra por palavra
Eis aqui uma pessoa
Se entregando
Coração na boca,
Peito aberto,
Vou sangrando
São as lutas dessa nossa vida
Que eu estou cantando

Quando eu abrir minha garganta,
Essa força tanta
Tudo que você ouvir
Esteja certa
Que eu estarei vivendo
Veja o brilho dos meus olhos
E o tremor nas minhas mãos
E o meu corpo tão suado
Transbordando toda raça e emoção

E se eu chorar
E o sal molhar o meu sorriso
Não se espante
Cante
Que o teu canto é minha força pra cantar

Quando eu soltar a minha voz,
Por favor, entenda
É apenas o meu jeito de viver
O que é amar

Maestro: Luiz Avelar
Baixo: Sizão
Bateria: Paulinho Braga
Guitarra: Hélio Delmiro
Piano Acústico: Luiz Avelar
Piano Elétrico: Luiz Avelar

E foram
Virando peixes
Virando conchas
Virando seixos
Virando areia
Prateada areia
Com lua cheia
E à beira-mar

Amaram o amor urgente
As bocas salgadas pela maresia
As costas lanhadas pela tempestade
Naquela cidade
Distante do mar
Amaram o amor serenado
Das noturnas praias
Levantavam as saias
E se enluaravam de felicidade
Naquela cidade
Que não tem luar
Amavam o amor proibido
Pois hoje é sabido
Todo mundo conta
Que uma andava tonta
Grávida de lua
E outra andava nua
Ávida de mar

E foram ficando marcadas
Ouvindo risadas, sentindo arrepios
Olhando pro rio tão cheio de lua
E que continua
Correndo pro mar
E foram correnteza abaixo
Rolando no leito
Engolindo água
Boiando com as algas
Arrastando folhas
Carregando flores
E a se desmanchar
E foram virando peixes
Virando conchas
Virando seixos
Virando areia
Prateada areia
Com lua cheia
E à beira-mar

Piano: Gilson Peranzzetta
No novo tempo
Apesar dos castigos
Estamos crescidos,
Estamos atentos
Estamos mais vivos
Pra nos socorrer

No novo tempo,
Apesar dos perigos
Da força mais bruta,
Da noite que assusta
Estamos na luta
Pra sobreviver

Pra que nossa esperança
Seja mais que vingança
Seja sempre um caminho
Que se deixa de herança

No novo tempo,
Apesar dos castigos
De toda fadiga,
De toda injustiça
Estamos na briga
Pra nos socorrer

No novo tempo,
Apesar dos perigos
De todos pecados,
De todos enganos
Estamos marcados
Pra sobreviver

Pra que nossa esperança
Seja mais que vingança
Seja sempre um caminho
Que se deixa de herança

No novo tempo
Apesar dos castigos
Estamos em cena,
Estamos nas ruas
Quebrando as algemas
Pra nos socorrer

No novo tempo,
Apesar dos perigos
A gente se encontra
Cantando na praça
Fazendo pirraça
Pra sobreviver

Maestro: Gilson Peranzetta
Baixo: Alexandre Malheiros
Bateria: Paulinho Braga
Guitarra: Hélio Delmiro
Piano Yamaha: Gilson Peranzzetta

Acontece que eu não tenho compromissos
Que me façam despertar pela manhã
Meu horário só começa quando o sol
Faz meio-dia antes disso não me acorde

Os vizinhos não compreendem como eu vivo
Sem correr, como eles correm de manhã
Para eles, sou apenas um boêmio de ressaca
Sem ocupação definida

Acontece que eu preciso de repouso matinal
Pois não desligo antes das 5 da manhã
Quando a noite se anuncia eu começo então
A brilhar pois sou a estrela da nossa canção popular

Maestro: Gilson Peranzzetta
Baixo: Alexandre Malheiros
Bateria: Paulinho Braga
Piano elétrico: Gilson Peranzzetta
Violão: Hélio Delmiro

Já não basta esse dia após dia
Que é um peso constante
Sobre as costas da gente
Nesse tempo doente, à solta nas ruas
Colocando nas faces esse ar descontente
Já não basta a descrença e a desconfiança
Acabando com nossa esperança de felicidade
Já não basta a pressão dessa falsa moral
Encobrindo os atos de imoralidade
Ah, por favor, meu garoto, não venha, também, me prender
A cabeça, as pernas e braços
Eu te amo e este amor eu declaro e grito e proclamo
De peito bem limpo, de peito lavado
Não preciso provar pois sei bem o que sou
E tintim por tintim dos meus traços e passos
Eu cansei dessas velhas promessas,
Dessas velhas palavras e cansados ditados
Já não basta essa coisa rolando aí fora
Nos castrando com garras e dentes
Nos forçando a viver tão somente de meias verdades
O importante é que o nosso coração
Sinta, através do respeito
O que é ser uma pessoa do meu jeito

Maestro: Eduardo Souto Neto
Baixo: Alexandre Malheiros
Guitarra: Paulinho Delmiro
Piano acústico: Gilson Peranzzetta
Piano elétrico: Eduardo Souto Neto