
Foto: Reprodução/Felipe Rufino

Com imensa elegância e o perfume da mais pura nostalgia da nossa música, falar de Simone Bittencourt de Oliveira é revisitar uma das vozes mais marcantes, sofisticadas e emocionantes da história da canção brasileira.
Nascida em 25 de dezembro de 1949, na cidade de Salvador, Simone carrega em sua própria origem um simbolismo poético: veio ao mundo no dia de Natal, fato que, anos mais tarde, se tornaria parte indelével de sua identidade artística e afetiva junto ao público brasileiro. Desde muito cedo, a música fez parte de sua vida, influenciada pelo ambiente familiar, onde seu pai apreciava óperas e sua mãe tocava piano e violão. Dotada de uma voz grave, aveludada e profundamente expressiva, Simone surgiu no cenário musical nos anos 1970 e rapidamente conquistou o país com uma interpretação singular, marcada por sensibilidade, intensidade e refinamento. Sua arte nunca se limitou apenas ao canto; Simone transformou cada canção em narrativa, cada verso em emoção, cada apresentação em memória afetiva. Entre seus grandes sucessos, destacam-se canções que atravessaram gerações, como “Começar de Novo”, “O Que Será”, “Cigarra”, “Iolanda” e, de maneira quase eterna no imaginário popular, “Então É Natal”, música que se tornou um verdadeiro ritual sentimental para milhões de brasileiros no fim de cada ano.
A importância de Simone para a música brasileira é imensa. Ela foi uma das intérpretes que melhor soube traduzir, em voz e sentimento, a sofisticação da MPB, dando vida às obras de gigantes como Milton Nascimento, Chico Buarque, Ivan Lins e João Bosco. Sua presença artística ajudou a consolidar a figura da grande intérprete na música nacional, unindo popularidade, excelência técnica e profundidade emocional. Há em Simone uma grandeza rara: a capacidade de emocionar sem excessos, de cantar com alma, de fazer a música parecer conversa íntima com o coração do ouvinte. Sua voz atravessou décadas, regimes, modas e gerações, permanecendo viva como patrimônio afetivo da cultura brasileira. Simone não é apenas uma cantora; ela é memória, sentimento e história. É uma das vozes que ajudaram a contar o Brasil.
Moisés Di Souza – Pérolas da Nossa Música. Abril 2026.
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